Resenha da obra “Em seus passos o que faria Jesus?" de Charles M. Sheldon.
RESENHA
Neemias Raimundo
SHELDON, Charles M., Em Seus Passos o que faria Jesus? Trad. Robinson Malkomes. São Paulo, Mundo Cristão, 2007. 277pp.
Esta obra
de Charles M. Sheldon (1857-1946), tornou-se um Best-seller
mundial no gênero da ficção, sobre um dos mais
profundos, desafiadores e possíveis desafios a serem aceitos por um cristão:
“agir como Cristo agiria”. O autor foi pastor da igreja Congregacional nos EUA no final do século XIX. Os sermões que
ministrava caracterizavam-se em analisar as atitudes de Cristo em relação às
questões morais. Mais tarde tais sermões deram forma à obra em questão:
A empreitada
que se dispôs o rev. Henry Maxwell de convocar
sua igreja durante o período de um ano, de não tomar nenhuma decisão sem antes perguntar:
“o que faria Jesus?” e os seus resultados, resume a narrativa da obra que é
dividida em 31 breves capítulos, onde é claramente possível visualizar a causa
fomentadora, suas irradiações e uma breve análise reflexiva final.
Os dois
primeiros capítulos introduzem na vida da Primeira Igreja de Raymond, e na de
seu pastor, Henry Maxwell, a figura de um andarilho à busca de trabalho representando
a classe trabalhadora vítima da falta de emprego resultante da revolução
industrial. O personagem destoante da membresia “lançou-lhes em rosto”
educadamente, o real significado de servir a Cristo. Suas palavras seguidas de
sua morte alguns dias depois impactaram a todos de tal forma, que inspiraram o
desafio feito pelo pastor à igreja no domingo seguinte.
Do terceiro ao trigésimo capítulo, são narrados os
desdobramentos que incluem conflitos, incompreensões, barreiras, equívocos, desistências,
tristezas, esforços, alegrias, vidas transformadas, grandes vitórias e a
marcante e abundante presença do Espírito Santo.
Alguns
personagens se destacam como protagonistas e, em torno de sua total fidelidade
ao desafio aceito, toda a trama se desenrola: Edward Norman, dono e editor de
um proeminente jornal que teve não somente todo seu conteúdo reorientado para
um teor cristão como resultado da incisiva pergunta antes de qualquer matéria
ou propaganda ser inserida; assim como o cancelamento da edição dominical, uma
nova postura de neutralidade política e a oposição ao comércio de bebidas;
enfrentando assim, muitos transtornos financeiros. Rachel Winslow, jovem
cantora de grande talento, descartou um contrato vantajoso para servir ao
Senhor com sua voz, sofrendo a incompreensão de sua mãe. Virginia Page,
milionária que abdicou do status de uma classe social elevada e de sua fortuna
para dedicá-los a Cristo e sua obra. Alexander Powers, superintendente de uma
empresa ferroviária, perdeu sua posição de destaque social por avaliar que,
para ser fiel à sua promessa, seria necessário denunciar a empresa à justiça por
irregularidades praticadas e que até então lhe eram desconhecidas, enfrentando
por isso, a mágoa da própria família. Donald Marsh, renunciou ao cargo de
diretor de uma importante faculdade para se candidatar a um cargo público e
empreender uma luta contra a venda de bebidas alcoólicas. Etc. fatos diversos e
entranhados com muitos dilemas, mais bem expressados na declaração do rev.
Maxwell: “o que faria Jesus?”, se, ao lançarmos essa pergunta, tentarmos
responder a partir de um maior conhecimento do próprio Jesus. Antes de
imitá-lo, precisamos conhecê-lo (PP. 161).
O autor usa
com maestria o recurso de inserir personagens fora do enredo para apresentar a
narrativa com equilíbrio entre neutralidade e envolvimento, dessa forma foi
feito o resumo do primeiro ano de compromisso pelo ver. Calvin Bruce em carta
direcionada a seu amigo de Nova York ver. Philip A. Caxton. Na carta são
descritas as impressões sentidas na pessoa específica do ver. Maxwell, em como
havia crescido ministerialmente, dos protagonistas já citados e do movimento que
se irradiava para outras igrejas da cidade e era notícia através do país.
Demonstrando estar impressionado pelo fato somente agora entendido que todo
cristão foi chamado a sofrer por Cristo (PP 171-186).
A partir do
episódio de um ano do movimento, foi incluído ao enredo, a igreja da Nazareth
Avenue, na cidade de Chicago com novos personagens que se entrelaçaram aos já
conhecidos. Com destaque para seus líderes, o Dr. Calvin Bruce, que contagiado
pelo movimento de Raymond, o levou para sua igreja de Chicago, impactando
também, seu amigo, bispo.
Atormentados
pela certeza de que não lograriam em Chicago o mesmo êxito ocorrido em Raymond
por Maxwell, o rev. Calvin Bruce e seu amigo bispo entenderam ser a vontade de
Deus abdicarem de seus postos e se apresentarem livres ao serviço do Mestre na
área mais carente da cidade. Entenderam ser necessário agir assim para se
desvencilharem de todos os privilégios que seus cargos lhes proporcionavam e
que lhes estorvavam a liberdade de servir a Cristo com inteireza do ser. A
pergunta que os envergonhava: “o que já sofri por Cristo?” forçava-os a
reconhecer a resposta do dilema que viviam há tempos e que somente agora tinham
forças para confessar e a partir daí entabular grandes planos visando resgatar
almas do inferno para Deus (PP. 217,223). O mesmo Espírito que os impulsionava
se movia também direcionando Felicia Sterling, que viria a somar ao grande
projeto em vista como também a Burns, uma alma resgatada das trevas e que o
inferno travou grandes batalhas para arrebatá-lo de volta, mas teve que retroceder
como em muitos outros casos pelo grande agir do Espírito Santo em toda a cidade
(PP. 232-244).
Os dois
últimos capítulos encerram a obra apresentando uma longa reflexão sobre a possível
postura da igreja visível frente à questão de seguir fielmente os passos de
Jesus. Assim, são analisados o egoísmo de cristãos fechados em sua comodidade e
imunes à grande massa de famintos espirituais que nutrem sentimentos negativos
contra a igreja; a revolução possível de realizar em todo o mundo se as igrejas
se comprometessem a viver segundo os passos de Jesus; estaria a igreja afastada
dos passos de Jesus e das pessoas que Ele realmente buscaria? As pessoas
estariam se negando a seguir os passos de Jesus quando a escolha envolvesse
perdas materiais e sofrimento? Até quanto os cristãos estariam dispostos a
abdicarem por Cristo? Os males do mundo, como o desemprego e a criminalidade
não têm relação com as atitudes dos cristãos? Se os cristãos agissem como
Cristo, tais males seriam aplacados? Como seria a relação de Cristo com a
riqueza? A postura de Cristo seria a de terceirizar o sofrimento, abstendo-se
de envolvimento com a dor alheia; limitando-se à doação de uma avultada oferta?
O discipulado realizado pelos cristãos seria reconhecido por Cristo? (PP.
257-274).
A reflexão
abre espaço para a visão futura e vencedora da igreja seguindo realmente os
passos de Jesus, ilustrada no registro do momento em que o movimento passou a
ser voluntário sem a necessidade de desafios da parte dos líderes (p 274).
Nessa visão, o desafio estaria escrito nos corações dos cristãos, cumprindo-se
assim, a vontade de Deus em que a igreja siga sempre seguindo os passos de
Jesus.
A obra
provoca a introspecção de qualquer um que lhe tenha acesso. Expondo-o desnudo
de rótulos institucionais à sublimidade da missão primária outorgada por Cristo
a todo aquele que o confessa como salvador e Senhor: seguir os seus passos e
agir como ele agiria. À resposta hipócrita dos que ousam desacreditar o
altruísmo daqueles que aceitam o desafio proposto no livro, cabe a seguinte
consideração: aquele que nega a possibilidade de agir na esfera individual como
Cristo agiria, indiretamente assume que vive um cristianismo fraudulento.
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